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Avaliação Ultrassonográfica da Endometriose

Por: Dr. Cezar Santinho

A presença de tecido endometrial fora da cavidade uterina caracterizada clinicamente como endometriose é uma afecção que atinge, hoje em dia, de 10 a 15 % das mulheres em idade reprodutiva. Estima-se que aproximadamente 15% deste total de mulheres sejam assintomáticas e 30% das portadoras sejam inférteis.

 

Sabe-se, também, que fatores comportamentais como estresse, opção por gestações tardias e redução do número de filhos são os principais causadores desta doença, ou seja, fatores que se tornaram não uma exceção, mas uma regra para mulheres em idade reprodutiva nos dias atuais, o que contribuiu bastante para o aumento da incidência da endometriose.

 

Resumidamente, a endometriose pode ser apresentada de três diferentes maneiras: superficial, ovariana e profunda. Para fins diagnósticos, a endometriose superficial é caracterizada com a presença de implantes de tecido endometrial de 1mm a 10mm dispersos na cavidade abdominal e pélvica e tem sua identificação, portanto, limitada à laparoscopia.

 

Nesse contexto, a avaliação da endometriose ovariana e profunda realmente interessa ao médico ginecologista e ao paciente tanto pela praticidade como pela relação custo X benefício.

 

A endometriose ovariana é relativamente fácil de ser estudada, pois os pequenos implantes com reação inflamatória associados a cistos hemorrágicos limitados por epitélio endometrial mostram-se à ultrassonografia como aumento volumétrico, lobulação e irregularidade de contornos, imprecisão dos limites e localização anômala da gônada, além da identificação do endometrioma ovariano visto como um cisto de paredes delgadas, contornos regulares e repleto por material ecogênico, que confere um aspecto denso ao mesmo e não apresenta fluxo vascular ao mapeamento por Doppler colorido.

 

Já a endomtriose profunda ou infiltrativa, que é definida como tecido endometrial ectópico, ativo e sincrônico com o endométrio tópico e provoca lesões com profundidade maior que 5mm, acometendo desde o septo reto vaginal até em alguns casos as paredes da válvula íleo cecal. Pode acontecer em até 7% das mulheres com diagnóstico de endometriose e clinicamente apresenta-se como dismenorréia intensa, dor ao toque de fórnice vaginal posterior e, muitas vezes, como nódulos palpáveis. Também tem uma representação ultrassonográfica muito bem definida com a tecnologia e a metodologia de estudo atual.

 

Estima-se que se realizada por profissionais bem treinados, a eficácia da ultrassonografia transvaginal como método para pesquisa da endometriose profunda tenha uma sensibilidade de 98-95%, sensibilidade de 100-98% e valor preditivo de 100-98%, o que pode, matematicamente, ser considerado um bom método para avaliação desta doença. No entanto, é senso comum que em determinados e particulares casos, como infiltrações de ceco e íleo, a associação com Tomografia Computadorizada multislice ou Ressonância Magnética pode acrescentar dados à pesquisa.

 

O exame ultrassonográfico tem um sistemática própria para se realizado, que inclui preparo intestinal na véspera do exame, lavagem no dia do exame para esvaziamento de sigmoide e reto, além de introdução de gel vaginal. Deve ser realizado em período não menor que 45 minutos para avaliar anatomia normal, septo reto vaginal, fórnice vaginal, recesso rero uterino, reto, sigmoide, recesso vésico uterino e ligamentos redondos e ultrassacros e fornecer informações que vão desde mobilidade de órgãos até a presença de nódulos de acometimento intestinal, dimensões, profundidade e distância destes da borda anal; descrições que permitem ao médico responsável pelo paciente programar, planejar e propor a ele um tratamento clínico ou cirúrgico.

 

*Dr. Cezar Santinho é Médico Ultrassonografista, Assistente do Grupo de Endometriose do CETRUS (Centro de Treinamento em Ultrassonografia de SP) e Membro Titular do Colégio Brasileiro de Radiologia.

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