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Imprensa
Doce veneno

19/10/2018

Por: Dra. Anete Hannud Abdo – CRM 34240

 
O açúcar é uma fonte de energia para o nosso organismo, mas o excesso de açúcar com certeza é prejudicial. 

Grande parte dos alimentos que ingerimos é transformada em glicose no nosso intestino e depois transportada para o nosso sangue; assim, a energia proveniente dos alimentos é distribuída, através da circulação sanguínea, a todo o nosso organismo. 

Se fizermos as contas da quantidade de glicose que existe no volume total de sangue circulando em nosso corpo (mais ou menos 100mg/dl, em mais ou menos 5 litros de sangue), temos um resultado surpreendente: o equivalente a, aproximadamente, apenas uma colher de chá de açúcar! 

Nosso organismo procura manter a quantidade de glicose constante no sangue, com mínimas variações nos estados de jejum e após as refeições. Imagine o esforço necessário para retornar a taxa de glicose no sangue (glicemia) para a faixa normal (até 99 mg/dl) quando ingerimos um pedaço de bolo! 

A ingestão de açúcar em excesso provoca uma elevação rápida da glicose no sangue. Na tentativa de trazer de volta ao normal a taxa de glicose acumulada no sangue, nosso organismo faz com que o pâncreas produza em maior quantidade um hormônio chamado insulina, que serve para retirar este excesso de glicose da circulação. A insulina facilita a passagem da glicose do sangue para as células dos vários tecidos do corpo, onde ela será usada como fonte de energia. 

Quando a ingestão de açúcar é muito grande e não nos exercitamos para transformar essa glicose em energia, o organismo armazena essa "sobra" de glicose: as moléculas de glicose se unem umas às outras para formar uma molécula maior chamada glicogênio, e assim é feito um "estoque de energia", como se empilhássemos a "mercadoria" em prateleiras. Este estoque é colocado principalmente em dois locais: no fígado e no músculo. Mas a capacidade de estocagem é muito limitada, o "almoxarifado" é pequeno (todo o nosso estoque de glicose dá somente para suprir de energia nosso organismo por menos de um dia). Quando a ingestão de açúcar é tão grande que ultrapassa a capacidade de estocagem na forma de glicogênio, a glicose é transformada em gordura e é armazenada no tecido adiposo, favorecendo o aparecimento de obesidade.
 
E aí mora o perigo. O aumento do tecido adiposo, especialmente quando o acúmulo de gordura se faz preferencialmente na região intra-abdominal, faz com que a insulina não funcione adequadamente, fique "fraca". Assim, uma quantidade maior de insulina vai ser necessária para realizar o transporte da mesma quantidade de glicose; é o que os médicos chamam de resistência à ação da insulina. Quanto maior o acúmulo de gordura intra-abdominal, mais "fraca" fica a insulina. Enquanto o pâncreas "der conta do recado", ou seja, for capaz de produzir mais e mais insulina, as taxas de glicose no sangue vão se manter dentro do normal, mas às custas de um excesso constante de insulina, que traz consequências para o resto do organismo, por exemplo favorecendo o aumento da pressão arterial.
 
Quando a resistência à insulina for tão acentuada que ultrapassa a capacidade máxima de produção de insulina pelo pâncreas (geneticamente herdada), acumula-se glicose no sangue, surgindo então o diabetes nas pessoas predispostas a esta doença, além de outras complicações.
 
Alimentação equilibrada e atividade física podem evitar essas alterações, mas às vezes é preciso usar medicação para interromper esse ciclo vicioso que leva ao diabetes. Prevenir é sempre o melhor caminho!
 
 
*Dra. Anete Hannud Abdo é endocrinologista.

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