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Obesidade tem cura?

26/02/2020

Endocrinologista esclarece dúvidas frequentes sobre a doença. *Por: Laís Guerreiro (Colaboradora do Departamento de Comunicação)

 
A obesidade é uma doença crônica que vem afetando, cada vez mais a vida dos brasileiros. A Dra. Anete Hannud Abdo, médica endocrinologista, formada pela Faculdade de Medicina da USP,  que atua no Centro Clínico Peruíbe, concedeu uma entrevista sobre a obesidade com o objetivo de sanar algumas dúvidas sobre a doença. Confira a seguir.
 
O que é a obesidade?
Dra. Anete - Em 1997, a Organização Mundial da Saúde (OMS) reconheceu a obesidade como uma doença crônica de proporções epidêmicas, com impacto na morbidade, mortalidade, qualidade de vida e nos custos com a saúde pública.
 
Como a obesidade pode ser diagnosticada? Como podemos diferenciar alguém acima do peso de uma pessoa obesa?
Dra. Anete - A obesidade é diagnosticada através do cálculo do Índice de Massa Corporal (IMC): divide-se o peso (em Kg) do paciente pela sua altura (em metros) elevada ao quadrado.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), IMC entre 18,5 e 24,9 kg/m2 é considerado normal. Quem tem IMC acima de 25 kg/m2 está com excesso de peso, sendo considerado sobrepeso entre 25,0 e 29,9 kg/m2 e obesidade a partir de 30 kg/m2. A obesidade é classificada em leve (classe 1 – IMC 30 a 34,9 kg/m2), moderada (classe 2 - IMC 35 a 39,9 kg/m2) e grave ou mórbida (classe 3 - IMC ≥ 40 kg/m2). Mas existem algumas limitações do IMC, por exemplo pacientes muito musculosos (aumento de massa magra) podem ter um IMC falsamente alto.
Também é importante a medida da circunferência abdominal para avaliar a distribuição do tecido adiposo: abdominal x subcutâneo. Considera-se aumentada a circunferência abdominal > 88cm para mulheres e >102 cm para homens, mas já se recomenda um monitoramento clínico e laboratorial mais frequente a partir de 80 cm em mulheres e 94 cm em homens.
 
 
 Existem outros motivos que levam à obesidade além da má alimentação?
Dra. Anete - A obesidade tem múltiplas causas. Em uma pessoa geneticamente predisposta, os maus hábitos alimentares e o sedentarismo podem precipitar o desenvolvimento da obesidade.
 

Mas existem também outros fatores que contribuem para o aumento de peso, como disfunções endócrinas, alguns tumores, problemas psiquiátricos, transtornos alimentares, cessação do tabagismo, certos medicamentos. Por isso é importante uma avaliação com especialista.
 
Como a obesidade pode afetar a vida de uma pessoa?
Dra. Anete - O preconceito contra o obeso pode levar a problemas de empregabilidade e de relacionamentos.
 
Quais são os principais riscos que a obesidade pode trazer?
Dra. Anete - A obesidade é fator de risco para uma série de doenças, entre elas hipertensão arterial, doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2, e até alguns tipos de câncer como mama, útero, próstata e intestino.
A mortalidade por doença cardiovascular é aproximadamente 50% mais alta em obesos, chegando a 90% em obesos graves. Mais de 80% dos casos de diabetes tipo 2 podem ser atribuídos à obesidade. A distribuição da gordura corporal preferencialmente na região intra-abdominal (obesidade abdominal ou visceral) é  mais prejudicial em termos metabólicos (glicemia, colesterol, triglicérides, ácido úrico).
A obesidade pode também estar associada a problemas articulares (artrose), gastrointestinais (pedra na vesícula, refluxo gastroesofágico, hemorroidas), respiratórios (apneia do sono, maior predisposição à infecções respiratórias), uro-ginecológicos (incontinência urinária, infertilidade),  dermatológicos (infecções por fungos, intertrigo) e psicológicos e psiquiátricos (diminuição da autoestima, depressão, ansiedade).

A obesidade tem cura?
Dra. Anete - A obesidade requer uma mudança de hábitos "para sempre", uma mudança de atitude diante da vida. O importante é que uma perda de peso da ordem de 10% já pode reduzir muitas das consequências da obesidade, mesmo não atingindo o peso ideal.
 
Como podemos prevenir a obesidade?
Dra. Anete - Prevenir a obesidade depende da adesão a um estilo de vida saudável desde a infância, evitando-se o sedentarismo e tendo uma alimentação adequada em termos de quantidade e qualidade. O equilíbrio emocional também é importante na prevenção da obesidade.